uma carta para a luise de 2013
(e talvez para você também)
oi, lu :)

você ainda não sabe, mas algumas coisas que parecem pequenas agora vão te acompanhar para sempre.
as palavras estampadas naquela camiseta que você adora ainda fazem muito sentido aqui em 2025. não porque sejam bonitas, mas porque, de alguma forma, você sempre soube que não ia seguir o caminho mais óbvio - e nunca se encaixou na ideia de que existe um único jeito certo de viver.

ontem, sentada trabalhando da sua própria casa – aquela que você escolheu, decorou, preencheu com suas cores, suas risadas e seus silêncios –, você percebeu que está exatamente onde gostaria de estar. não porque chegou a algum destino final, mas porque entendeu que a liberdade de escolher o próprio caminho vale mais do que qualquer chegada.
comemorou o dia internacional das mulheres criando um produto novo (e incrível) para a sua empresa, que, por sinal, hoje tem como sócia a nati – sim, a nati do design.

ninguém previu que vocês se tornariam inseparáveis, mesmo com milhares de km de distância, e que um dia estariam lado a lado desenhando estratégias para empresas do mundo todo.
no.
mercado.
financeiro.
sim, que loucura.
para fechar com chave de ouro, você foi para a cozinha e fez seu prato preferido, aquele que aprendeu com a vó maria.
ontem, mais do que qualquer outro dia, você sentiu o peso e a leveza de estar vivendo o que todas as outras mulheres da sua família não viveram. de ter o seu tempo para estudar algo que fazia sentido para você. de ter ido morar sozinha aos 18. de ter escolhido sua profissão – mais de uma vez.
ontem, você se deu conta de que o que te alegra não são as conquistas em si, mas o simples fato de poder decidir.
lembra do livro um teto todo seu, da virgínia woolf? ali ela escreveu que “a indiferença do mundo, que keats, flaubert e outros homens geniais achavam tão difícil de suportar, não era, no caso dela, indiferença, mas hostilidade.”
ao longo dos anos até aqui, encontramos pessoas que tentaram te desencorajar e diminuir seu sonho. o mundo nunca foi indiferente às mulheres que ousaram criar. ele sempre questionou, sempre duvidou e sempre exigiu muitas explicações.
e, ainda assim, você está aqui.
porque um dia, uma mulher escreveu mesmo sem ter um quarto todo seu. outra recusou a vida que esperavam dela. outra se sentou em uma mesa onde não era tão bem vinda. outra te educou e segurou as pontas para que você pudesse chegar até aqui.
hoje, em 2025, concordo ainda mais quando woolf diz que a educação não deveria fortalecer as similaridades, mas as diferenças. e percebe o quanto isso sempre esteve em você.
você nunca quis ser uma versão melhorada de algo que já existia.
você nunca quis escrever como eles, viver como eles, pensar como eles.
você só queria espaço para existir do seu jeito.
e esse espaço, você construiu.

valeu a pena, lu.
tudo isso porque um belo dia você decidiu fazer tudo que queria fazer. e em tudo que a gente faz, até hoje, existe um porquê.
e talvez seja isso que mais te orgulha hoje: ter construído uma vida que não cabe em um único rótulo. ter encontrado um jeito de existir sem precisar pedir permissão.
hoje posso dizer que sinto muito prazer em ser quem eu sou e em estar onde estou.
mas nada disso teria sido possível sem você e sem todas versões de nós que já existiram. sem as que abriram caminho, sem as que desafiaram o silêncio, sem as que, direta ou indiretamente, te mostraram que sonhos não são coisas pequenas.
sigo por nós.
criando, escrevendo e nos cercando de amor - próprio, principalmente.
com carinho,
luise, do futuro que deu certo porque nunca parou de tentar.
insights sobre marketing, tecnologia, negócios e o tendências no mercado financeiro.
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