tente estar pronto.
uma reflexão sobre o que mais importa durante um ciclo.
“o futuro é algo sobre o qual sabemos muito pouco. mas essa limitação não precisa nos condenar ao fracasso, desde que reconheçamos essa incerteza e nos preparemos para ela.”
quando eu tinha 16 anos, criei um blog.
criei porque eu gostava de escrever, me expressar, organizar ideias. sempre fui curiosa sobre tudo. também queria treinar redação para o vestibular - e o blog era um espaço mais divertido pra isso.
eu passava horas no twitter. ganhei novas referências, conheci muita gente que trago até hoje comigo e, sem perceber, descobri um mundo de coisas que moldaram boa parte da minha vida (e carreira).
"você escreve bem. quer trabalhar comigo?"
foi assim que, aos 17 anos, comecei um estágio em uma assessoria de imprensa.
eu nunca tinha trabalhado antes. nunca tinha escrito profissionalmente.
mas… why not?
essa decisão abriu um caminho que eu nem sabia que existia. não porque ele me deu experiência técnica, mas porque me mostrou que eu podia transformar o que eu já fazia naturalmente em algo concreto, útil e profissional.
corta pra 2013. na faculdade de letras, comecei a me interessar mais por economia. na minha cabeça, eu seria jornalista econômica. meu sonho era trabalhar em uma revista, em um jornal, em algum lugar que me permitisse escrever e pesquisar sobre temas complexos.
me matriculei em matérias do instituto de economia. alguns meses depois, eu quis aprender na prática, então criei a área de marketing da empresa júnior de economia e entrei para a AIESEC - onde fiz parte de projetos internacionais e tive as primeiras experiências que me fizeram repensar meus caminhos.
nada disso fazia parte de um grande plano.
se eu não tivesse criado aquele blog, talvez nunca tivesse feito aquele estágio.
se eu não tivesse feito aquele estágio, talvez nunca tivesse ido para a empresa jr.
se eu não tivesse me dedicado tanto à economia, talvez nunca tivesse entendido como a linguística e o mercado financeiro se cruzam.
entre 2016 e 2018, passei por experiências que me ensinaram muito sobre o impacto da comunicação nos negócios. criei minha própria agência, fui apresentadora de um programa ao vivo na rádio CBN, trabalhei em grandes projetos de influência para marcas e desenvolvi inúmeras campanhas de conteúdo de moda e beleza.
isso tudo depois de passar 1 ano dando aula em uma escola pública e em uma ONG.
nem sempre a gente sabe que está fazendo uma transição de carreira enquanto está no meio dela. às vezes, parece só uma escolha que faz sentido naquele momento. um hobby. uma experiência nova. um teste.
mas, quando você olha pra trás, percebe que cada uma dessas escolhas estava te levando para um lugar que você nem sabia que queria chegar.
“na minha opinião, a chave para lidar com o futuro não está em prever
para onde estamos indo, mas sim em entender onde estamos agora.”
as mudanças foram acontecendo porque eu estava aberta a elas. porque eu disse sim para oportunidades que pareciam interessantes. porque eu segui minha curiosidade. porque eu não me prendi a uma única narrativa sobre o que eu deveria ser.
é muito fácil olhar pra uma transição de carreira como um salto no escuro. como um risco. como algo que exige um plano perfeito.
as transições acontecem enquanto você está vivendo.
você aprende uma coisa nova aqui. conhece uma pessoa ali. se interessa por um assunto diferente. percebe que suas habilidades podem ser aplicadas de outro jeito. quando percebe, já está lá.
e o que parece um caminho inesperado começa a fazer todo sentido.
estamos tão preocupados em seguir o “plano certo” que ignoramos as oportunidades que surgem fora dele.
você também percebe isso à sua volta?
gente que tem medo de explorar um caminho novo porque acha que vai “desperdiçar” o que construiu até ali.
gente que adia uma mudança porque acha que ainda não sabe o suficiente.
gente que fica esperando o momento perfeito – como se ele fosse chegar um dia com um aviso claro dizendo: “agora pode ir”.
algumas coisas só fazem sentido depois.
depois que você entra. depois que você testa. depois que você percebe que as habilidades que você já tem podem ser aplicadas de um jeito novo.
em 2001, howard marks escreveu o famoso memo you can't predict. you can prepare. nele, marks fala sobre ciclos – no mercado, na economia, no crédito. fala sobre como os padrões sempre se repetem, sobre como os momentos de euforia inevitavelmente cedem lugar à correção, e como o maior erro de um investidor não é errar a previsão, mas achar que precisa de uma previsão para agir.
esteja aberto para perceber oportunidades que talvez não tenham a ver com o plano original. esteja preparado para entrar e aprender o que for preciso no caminho.
e o mais importante: esteja disposto a construir a sua própria narrativa.
com todas as dores e delícias que se apresentam nessa jornada.
com muito carinho, compartilho com vocês um dos meus poemas favoritos:
desenho, de cecília meireles
traça a reta e a curva
tudo é preciso.
de tudo viverás.
cuida com exatidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas.
com apurado rigor.
sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
traçarás perspectivas, projectarás estruturas.
número, ritmo, distância, dimensão.
tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.
construirás os labirintos impermanentes
que sucessivamente habitarás.
todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
não te fatigues logo. tens trabalho para toda a vida.
e nem para o teu sepulcro terás a medida certa.
somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
raramente, um pouco mais.
clique aqui para entender as frases destacadas.
boa leitura e uma excelente semana. :)
insights sobre marketing, tecnologia, negócios e o tendências no mercado financeiro.
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