26 set. 2025 · luise villa

sobre entrar nas conversas certas

forbes, latitud e jumpstart abrem portas em SF para quem constrói no brasil

san francisco, 6 a 12 de outubro. a SF tech week toma a cidade num formato descentralizado: centenas de sessões pequenas espalhadas por escritórios, universidades e labs, com a a16z como curadora-âncora.

o fio condutor é AI, do chip e da nuvem ao produto que chega na mão do cliente. a forbes latam trouxe um ponto que vale a nossa atenção:

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estamos falando sobre sentar em mesas onde critérios são negociados. essa semana concentra conversas diretas entre quem constrói, quem aloca e quem decide compra.

com AI deixando de ser tendência de futuro e virando linha de P&L, esse tipo de encontro muda a pergunta: sai o “qual a promessa?”, entra o “onde já há captura de valor, com quais métricas e qual risco operacional?”.

a a16z, gestora de venture capital fundada por marc andreessen e ben horowitz, assina o evento e sincroniza um calendário comum; os encontros são organizados por diferentes anfitriões ao longo da semana.

é nesse ambiente que latam deixa de ser convidada simpática e vira parte da decisão.

nesse ano, temos uma presença brasileira coordenada: jumpstart puxando a caravana com latitud, latinleap, consulados, executivos latinos em companhias globais — e isso tem consequência prática pro brasil.

  • novos canais de relacionamento em US

  • vocabulário compartilhado que facilita as próximas conversas

  • leitura mais precisa do que “qualidade” significa agora em AI

internacionalização, aqui, não é desfile; é trabalho conjunto. a gente leva prática, volta com critério — e isso altera onde colocamos energia e como negociamos as próximas oportunidades.

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sobre a a16z

a andreessen horowitz (a16z) é uma gestora de venture “stage-agnostic”: investe do seed ao growth em tecnologia — AI, bio/health, consumer, crypto, enterprise, fintech, games, infraestrutura — e mantém práticas temáticas como american dynamism (a interseção tech-estado: defesa, segurança pública, educação, indústria). hoje declara u$ 46 bi em “committed capital”.

os sócios que lideram a casa são, em grande parte, ex-fundadores e operadores (CEOs/CTOs). o modelo é “plataforma”: além do cheque, a16z conecta fundadores a uma rede própria de talentos técnicos e executivos, líderes corporativos (fortune 500/global 2000), mídia e formadores de opinião — com times internos que ajudam ao longo do ciclo de construção da empresa. na prática, é acesso a gente que contrata, compra, abre distribuição e dá visibilidade.

a cultura escrita é explícita sobre como eles tratam empreendedores, LPs (investidores) e parceiros:

  • “first-class way”: respeito ao processo do fundador; resposta rápida, inclusive para dizer não; não criticar publicamente startups (viria a ser falta grave).

  • “word is our bond”: compromisso dado é compromisso cumprido; a firma evita “prometer no impulso”.

  • “truth even if it hurts”: feedback direto, com substância.

  • “relationship business”: visão de longo prazo, estar junto no bom e no difícil, sem transacionar confiança por ganho tático.

como competem (e ganham)?

a16z joga para vencer sem “comprar” vitória: prefere ganhar com proposta equivalente ou menor quando acredita no time, no tamanho do mercado e na assimetria do retorno. evita ridicularizar ideias “estranhas” no início e se reorganiza quando surgem categorias novas (mudar estrutura de fundos, práticas e até cultura, se necessário). é um estilo que prioriza magnitude de acerto em vez de dissecar fraquezas.


presença brasileira na SF tech week

2024

a brex (fundada por henrique dubugras e pedro franceschi) apareceu como host em sessões do calendário oficial da semana: o pop-up “the brex pop up for #sftechweek [10/8]” e o encontro “off the record: beats & business w/ empire & brex”, ambos em 8 de outubro de 2024.

além disso, muitos profissionais do brasil participaram justamente para acompanhar de perto e ampliar rede — founders e profissionais que passaram a semana circulando entre encontros pequenos e reuniões marcadas, fazendo 1:1 com times de produto e investidores, pedindo intros de segundo grau, comparando métricas e calibrando narrativa.

2025
para a edição de 2025, a jumpstart (legal-tech de imigração fundada por brasileiros) montou a latam founders caravan , com programação própria e “global ambitions” como conceito.

quem é a jumpstart e por que ela está fomentando essa conversa?

a jumpstart é uma empresa brasileira criada em 2024 por fabiano rocha (ITA, MIT) e mateus nobre (ITA) que resolveu um gargalo objetivo pra founders que querem pousar nos EUA: visto com previsibilidade e segurança.

depois de começar como fintech que financiava green cards, a empresa pivotou em fevereiro desse ano para uma assessoria imigratória apoiada em modelos estatísticos, AI e revisão jurídica, oferecendo um “pacote founder” que combina o núcleo do processo (O-1A; EB-1A/Eb-2 NIW) com trilhos práticos — abertura de empresa, planejamento contábil/tributário, transferência de equipe e até logística de pets — via parceiros validados.

o diferencial está no desenho de risco: eles estimam probabilidade de aprovação com base em dados e dão garantia integral para founders (e reembolso parcial nos demais casos), além de encurtar prazos de submissão de semanas para dias.

o resultado é menos dor de cabeça administrativa e mais tempo para o que interessa: construir e negociar a próxima etapa.

latam founders caravan - SF tech week

a jumpstart immigration e forbes latam se juntaram para cobrir a SF Tech Week e incentivar mais fundadores latinos a empreenderem globalmente.

a parceria tem como objetivo fortalecer a presença dos founders da américa latina no evento e incentivar o intercâmbio dentro da comunidade.

com a caravana, os participantes terão apoio com orientações sobre a agenda, recomendações das melhores sessões para o público brasileiro. além disso, a jump está promovendo eventos extras, como happy hours exclusivos para fomentar conexões.

esse movimento existe para criar espaços de conexão e troca, tanto dentro quanto fora do evento, reforçando a importância da presença latina no ecossistema global.

é uma iniciativa em que todos ganham, mesmo quem não puder participar da viagem: a jump fortalece a rede de founders brasileiros e latinos, criando mais oportunidades de visibilidade, aprendizado e conexão para todos.

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internacionalização é troca

o desenho dessa semana favorece conversas que testam hipóteses: onde a automação encurtou ciclo de venda, que parte do atendimento aguenta AI agents sem queda de satisfação, quanto custa a próxima interação quando o modelo está em produção e o que acontece com a latência sob picos.

o fortalecimento da comunidade latam no evento aparece exatamente agora porque a região já incorporou AI no cotidiano — o report publicado pela atlantico recentemente mostra uso semanal disseminado no brasil e no méxico — e porque há massa crítica técnica para trazer mais contexto à conversa: o brasil já é a 4ª maior comunidade de desenvolvedores no github no mundo, e o uso de chatGPT por aqui está entre os mais altos globalmente.

o retorno para o brasil, por isso, não é “um contato a mais”. times voltam ajustando roadmap, reposicionando mensagens para o decisor certo e abrindo relações que seguem adiante porque nasceram a partir de trocas.

tem um outro ponto bastante relevante: a região está recebendo investimento pesado em capacidade de nuvem e dados — microsoft anunciou US$ 2,7 bi no brasil para expandir são paulo em cloud + AI e a AWS programou US$ 4 bi numa nova região no chile com operação prevista para h2 2026, além de energia limpa abundante que torna viável puxar carga de inferência.

muito mais do que networking ou exposição

somando isso ao uso massivo de canais digitais e ao talento disponível, internacionalização deixa de ser de fora pra dentro e cria réguas de qualidade compartilhada. o que muda aqui, de verdade, quando a conversa acontece desse jeito lá fora, é a qualidade do vínculo — que muda de “trocar cartão” para reconhecimento de pares.

quando um time brasileiro discute, frente a frente, como está medindo ganho de produtividade, qual foi o degrau que permitiu tirar o humano de certas rotinas e onde o agente ainda precisa de tutoria, ele sai com uma régua comum.

isso volta para o brasil como linguagem e expectativa: qual latência é aceitável, que métrica fecha a conta no trimestre, como apresentar evidência de forma clara e direta.

a troca também expõe complementaridades de repertório

  • dos estados unidos, vem uma disciplina de narrativa amarrada a decisão: menos abstração, mais série temporal com cohort e custo marginal.

  • da américa latina, entra uma inteligência de execução a partir de restrição: crescer em canais conversacionais, ajustar produto com pouca gordura, desenhar serviço que alterna agente e humano sem quebrar a experiência.

quando esses modos de pensar e trabalhar se encontram, o resultado é um meio-termo produtivo: histórias mais enxutas com números que importam e produtos que chegam ao usuário final sem burocracia desnecessária.

essa questão é importante para o mercado porque reduz o risco percebido de quem compra e, ao mesmo tempo, preserva a agilidade de quem vende.

há um efeito institucional que vale notar. a presença coordenada de redes e consulados não resolve negócio por si mesma — e nem deveria —, mas muda o clima da conversa. legitima a agenda, cria pontes para questões práticas (entrada em mercado, referências, apresentações qualificadas) e dá continuidade quando a semana termina.

o que parecia distante se torna acessível porque há um trilho compartilhado: pessoas que se reconhecem, contextos que se entendem, critérios que cabem nos dois lados.

ambição global

quando latam participa de mesas onde prioridades são definidas, a região deixa de reagir à agenda e passa a influenciá-la. e isso não é grandiloquência.

times daqui passam a escrever roadmaps sabendo como serão julgados lá, e parceiros de lá começam a contar com o nosso modo de resolver problemas — mais direto, mais próximo do usuário, mais atento ao custo de servir.

nesse vai e volta, o brasil se posiciona não como exceção ou potencial, mas como origem de soluções competitivas em AI aplicada. e é assim que portas se abrem: porque faz sentido no negócio, não por simpatia.


quem vai junto, vai mais longe

o que permanece, depois que as salas esvaziam, é a confiança. quando encontros frequentes criam memória compartilhada, a barreira cultural se encurta.

pertencimento, aqui, é muito mais do que discurso: é quando alguém do outro lado já conhece a sua régua e espera a sua próxima atualização. isso compõe reputação operacional, aquela que independe de contatos frequentes e presença no palco — e melhora o preço do seu tempo.

as conversas também passam a carregar conteúdo suficiente para justificar o passo seguinte. a percepção de risco muda quando há continuidade e quando o interlocutor reconhece padrões de execução que se repetem.

há ainda um ganho de leitura estratégica para players com produtos de investimentos offshore: convivência próxima com quem compra e com quem aloca nos estados unidos refina a nossa sensibilidade de “timing” — principalmente no sentido de entender o ponto exato em que uma afirmação técnica bate com o planejamento ou orçamento.

quando profissionais e empresas do brasil aparecem ano após ano com avanços tangíveis, a expectativa sobre “o que vem da região” passa a ser comparável. isso importa para quem investe, para quem contrata e para quem escolhe onde trabalhar. comunidades técnicas ganham força, fornecedores locais sobem a régua, e a conversa com parceiros internacionais passa a ser menos tradução e mais alinhamento de hipótese.

e, por último, mas não menos importante: tem o componente humano, que é o mais resistente ao tempo.

relações que amadurecem sem pressa e que aprendem a negociar divergências com mais sofisticação. boas parcerias nascem assim — com curiosidade, franqueza inteligente e um acordo tácito sobre o que vale proteger.

é isso que nos interessa fomentar por aqui também: a sensação de que pertencemos porque entregamos, e de que a troca segue viva porque ainda há trabalho a fazer em comum.

se conseguirmos manter essa cadência, o resto — contratos, capital, expansão — tende a ser consequência natural, não objetivo isolado.

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