recipe for innovation
como a invesco explicou ETFs — e ainda deixou todo mundo com fome
ETFs e comida, o combo perfeito?

ETF, pra quem não está acostumado, funciona como um combo de delivery: alguém já selecionou para você os melhores itens do menu, garantiu diversidade e preparou um pacote pronto para consumo. você adquire uma única ‘refeição’ — o fundo — que reúne várias empresas, economiza tempo na escolha individual dos ativos e simplifica a carteira.
o $QQQ, da invesco, é exatamente isso. um mix de apple, amazon, adobe, NVIDIA e outras gigantes da nasdaq, tudo reunido em um único ticker. você compra uma cota e leva tudo de uma vez sem precisar montar a carteira sozinho. parece prático, né?
mas mesmo assim, explicar isso, principalmente para o investidor final, continua sendo um grande desafio no mercado financeiro.
em uma conversa recente, o bruno stein (ex-global X, ex-safra) nos trouxe essa visão: uma parte relevante do tempo de reunião com alocadores para falar de ETF vai embora explicando… o que é um ETF.
quando ele disse isso, eu ri. mas ri com a sensação de “é isso”, porque eu já vi essa cena tantas vezes: o “complexo”, o desconhecido ou até mesmo um tópico que, sei lá por que motivo, você ouviu que era complicado… realmente vira algo complicado na sua cabeça — e ninguém consegue entender, porque falta traduzir para a linguagem de quem não está tão acostumado a ouvir o termo.
você vai apresentar uma tese, tem que voltar quatro casas. você quer conversar sobre estratégia, mas antes precisa traduzir a sopa de letrinhas que é ETF.
fui procurar quem já traduziu e, como eu sempre faço, comecei por cases globais. foi aí que eu encontrei a campanha recipe for innovation, da invesco.
já falei dela no meu linkedIn , mas hoje quero te levar comigo nessa análise — não como alguém que trabalha com ETF (que realmente não sou), mas como diretora criativa em um mercado que precisa de mais criatividade pra reduzir complexidades.
vamos lá!
recipe for innovation

a campanha gira em torno do $QQQ, ETF que reúne as 100 maiores empresas não-financeiras da nasdaq. o ponto de partida foi assumir que, pra muitas pessoas, o nome ETF não diz nada. mas os nomes das empresas dizem muito. então por que não inverter a lógica da comunicação?
e se, ao invés de tentar explicar o produto, você simplesmente mostrasse o que essas empresas representam — e como, combinadas, elas criam uma ideia clara de inovação?
a escolha foi usar comida. eu, como boa brasileira e amante de comida, fui procurar as receitas, né.
descobri que o time criativo da Invesco convidou chefs como Kwame Onwuachi, Kristen Kish e outros pra criar pratos inspirados nas empresas do índice.
nesse video temos Intel, Adobe, Meta, Cisco e Pepsi CO
o site funciona como centro editorial da campanha. cada prato tem seu espaço próprio, com descrição do conceito, perfil da empresa que inspirou a receita e uma pequena história sobre como aquela ideia foi construída. o design é direto, mas com escolhas visuais muito intencionais:
fotografia com fundo desfocado
foco nos ingredientes
tipografia serifada nos títulos e sans nos blocos
um equilíbrio entre sofisticação e clareza. tudo com muito cuidado para não confundir nem complicar.
step by step como uma boa receita

como transformar um ETF em experiência

a invesco foi ainda além e, em outubro de 2023, levou o QQQ para o new york city wine & food festival, em brooklyn, como patrocinador.
dentro do evento, montou uma pop-up com estrutura de cozinha interativa — parte instalação, parte experiência. o espaço atraía visitantes com telas, cheiro de comida e a imagem do chef kwame onwuachi.
o objetivo era mostrar como empresas que compõem o QQQ se conectam com cultura, inovação e consumo do dia a dia, sem precisar passar por uma explicação técnica sobre ETFs.

no centro da pop-up estava um jogo multiplayer em que os visitantes viravam sous-chefs de kwame. a experiência era dividida em quatro etapas:
seleção de ingredientes (cada um associado a empresas do ETF)
preparo em tela touchscreen com gestos
execução guiada por um holograma do chef
por fim, empratamento
a performance era avaliada por um sistema que comparava a execução do jogador com a versão original. a competição era simples, visual e convidava as pessoas a voltarem para tentar de novo.

por trás do jogo, um app criado pela groove jones conectava todos os pontos da experiência: tempo de execução, ações de toque, ordem dos ingredientes, apresentação final.
o sistema usava inteligência artificial para avaliar as rodadas em tempo real e dar notas personalizadas, sem exigir nenhum tipo de login ou cadastro. cada pessoa passava por uma jornada com começo, meio e fim — e saía com a memória de ter “montado” um ETF sem que a palavra ETF fosse dita.

a campanha gerou mais de 8 bilhões de impressões, 3,4 milhões de sessões no site da invesco e um tempo médio de navegação 83% acima da média.
o awareness espontâneo cresceu 14% e a intenção de investimento no produto aumentou 8,3%.
o case foi vencedor do prêmio de brand experience no the drum awards. não há dado público específico sobre conversão de leads ou entendimento do conceito de ETF, mas os dados de navegação e reengajamento indicam que a abordagem gerou retenção e atratividade — especialmente em um evento fora do setor financeiro.

veja o case completo aqui:
https://www.groovejones.com/invesco-qqq-recipe-for-innovation-game-nycwff
o que eu levo disso (como diretora criativa)
estamos vivendo algo parecido no brasil: muita gente falando sobre “educar o investidor”, mas pouca gente pensando na parte mais importante, que é fazer ele se interessar primeiro.
o ETF ainda é um assunto travado, distante — e confuso pra quem não convive com esse vocabulário. e talvez a resposta não esteja em explicar mais, mas em mostrar de outro jeito.
eu vou continuar nessa busca. buscando campanhas, mapeando e anotando ideias. se você quiser embarcar nessa comigo, a porta tá aberta.
insights sobre marketing, tecnologia, negócios e o tendências no mercado financeiro.
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