28 nov. 2025 · luise villa

latam em modo seleção

o lado b dos gráficos de private capital da região

a fotografia mais honesta da américa latina hoje não está nos relatórios de equity, mas na camada ilíquida do portfólio.

fonte: preqin, novembro de 2025

em quinze anos, a região saiu da nota de rodapé em “emerging markets” para disputar, de verdade, espaço em mandatos globais de private equity, crédito privado e infra.

são dezenas de bilhões de dólares ancorados em fundos que não têm botão de saída diária – e que, por isso mesmo, dizem muito sobre quem está disposto a atravessar a próxima década colado na realidade latino-americana, e quem só quer girar risco em slide.

esse artigo nasce a partir do conteúdo de um painel da preqin sobre “the rise of private capital in latin america”, moderado por grant murgatroyd (head of news / senior writer na área de research & content) e com abertura de dados de rachel dabora (analyst/research insights).

na mesa, três ângulos que se complementam:

  • priscila rodrigues, presidente da ABVCAP e head de FOF alternatives da XP asset — trazendo a visão de quem vive o ecossistema de private equity no brasil;

  • juan carlos martín, founding partner da galleon capital e chapter head mexico do CAIA latam — lendo a região a partir do méxico e das restrições (e ambições) dos grandes investidores institucionais;

  • e sebastián valderrama, head of alternatives na ikalon — falando do lado de private wealth e multi-family offices que já tratam alternativos como eixo central do portfólio.

os gráficos apresentados eram familiares:

  • crescimento constante de alternativos na carteira dos institucionais

  • private capital na região batendo perto de três dígitos em bilhões

  • brasil e méxico dividindo o protagonismo

o que fugia do lugar-comum eram as nuances:

  • fundos de pensão tentando alongar prazos dentro de regras que ainda engatinham

  • famílias com 40–60% do patrimônio travado em alternativos

  • gestoras redesenhando estruturas de saída via secundários

  • crédito privado autoliquidável

  • NAV financing

é daí que nasce a visão de “latam em modo seleção”.

não se trata mais de discutir se vale a pena ter ou não exposição à região, mas de aceitar que cada decisão nova de capital aqui é um filtro de maturidade:

  • qual tipo de iliquidez você está comprando?

  • com que governança?

  • em que jurisdição?

  • com qual grau de dependência de política doméstica?

como camada principal desses questionamentos:

quem é o gestor que vai operar esse risco por você num ambiente em que DPI se tornou mais importante do que IRR, e em que o mercado secundário deixou de ser gambiarra de crise para virar parte da arquitetura?

a conversa de hoje é um recorte desse tabuleiro visto de dentro. vamos destrinchar:

  • quem está aumentando a aposta na região;

  • como fundos de pensão, family offices e wealth managers estão desenhando sua própria régua de travar capital;

  • quais combinações de private equity, crédito e infra estão sendo testadas como solução de liquidez;

  • e onde, exatamente, latam oferece prêmio de paciência.

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