3 nov. 2025 · luise villa

gen z já reescreveu o wealth

o manual que UBS e vanguard usam para ganhar o jogo

o investidor de agora não quer ir até o seu site: ele lembra mais de quem encontra pelo feed. e decide com base no que viu — e no que alguém de confiança salvou e enviou por DM.

para lideranças de asset e wealth management, a mudança é concreta: a autoridade nasce no curto prazo e aprofunda no longo — e precisa vir com conteúdo útil e coerência ética.

a geração z está redefinindo descoberta e decisão. dados de 2025 mostram que:

  • ela passa 54% mais tempo em redes sociais e consumindo conteúdos de criadores (cerca de +50 min/dia) e 26% menos em TV/filmes (–44 min).

  • para se informar sobre notícias, instagram (19%), whatsapp (19%) e tiktok (16%) já superam TV para milhões.

  • o linkedin, que virou “praça” de credibilidade no B2B, elevou 36% as visualizações de vídeo ano contra ano e passou a exibir métricas de saves e sends, isto é, o que foi guardado e compartilhado em privado — os sinais que fomentam conversas.

isso muda o lugar onde a confiança nasce e como ela escala.

por que isso importa?

  1. porque há demanda latente por orientação humana: a J.D. power mostra que 37% dos investidores gen Y/Z nos EUA consideram buscar um assessor; no canadá, 39% dos z dizem o mesmo para 12 meses.

ao mesmo tempo, a barreira de acesso persiste: um estudo da investopedia aponta que só 20% dos zoomers procuram conselho profissional hoje.

  1. porque o comportamento financeiro não é estático — 72% dos jovens adultos tomaram alguma ação para melhorar a saúde financeira no último ano (poupar ou quitar dívidas).

o recado para wealth é direto: há intenção, mas o “como” precisa caber no bolso, no tempo e na linguagem da geração.

  1. porque o tabuleiro vai mexer de qualquer jeito. a mckinsey projeta US$ 6 a 10,5 trilhões em “money in motion” nos próximos cinco anos, puxados pela convergência entre gestão tradicional e alternativas, viés doméstico e novas estruturas de produto.

quem chegar com narrativa certa, governança visível e experiência fluida captura essa movimentação.

gen z in a nutshell

o que diferencia a gen z não é só o intervalo de nascimento. é, também – e talvez principalmente – estrutura de renda. o salário CLT continua, claro, mas surgem novos modelos de fonte de receita:

  • conteúdo – adsense, patrocínio, afiliados

  • serviços sob demanda – projetos e freelas

  • produtos digitais

  • outras micro-rendas recorrentes – royalties e creator economy “long tail”.

é um caixa multifonte e irregular que pede três coisas do profissional de wealth:

  1. linguagem de fluxo (previsibilidade, reserva, calendário de recebíveis)

  2. produto com fricção baixa para “entradas variáveis” (frações, aportes flex)

  3. conteúdo que operacionaliza (como declarar, como separar, como sair)

a conversa de hoje não é sobre “quando essa geração chegará”. é sobre como ela já decide e como as empresas de investimentos podem se aproximar desse público.


o novo preço da atenção

a regra é objetiva: se não entrega valor imediato (entretenimento + utilidade + verdade), é ignorado. a evidência é consistente:

  • 67% da gen z pulam o que não diverte/ensina

  • UGC (user generated content) engaja 4,2× mais

  • in-feed no tiktok registra +72% de CTR (click through rate) versus estáticos no instagram.

atenção é moeda e se paga em segundos.

o que compra esses segundos é claro: vídeo curto, voz humana, mensagem direta.

  • 81% preferem short video a imagem/texto;

  • 85% engajam mais com vídeos mais naturais e autênticos do que com peças de design “perfeitas”;

  • 74% seguem creators menores (<100k) e apenas 18% confiam em celebridades.

autoridade, para essa audiência, nasce da proximidade.

as plataformas mudaram de função: o feed virou busca/descoberta e newsfeed e a decisão acontece nas DMs. tiktok e youtube avançam como fontes de informação e, nos EUA, ~1 em 5 adultos já obtém notícias regularmente em instagram e tiktok.

essa economia de atenção tem cláusulas de confiança: 81% se preocupam com privacidade de dados e só 14% confiam nas plataformas; cresce a migração para ambientes com “senso de comunidade” (como discord e reddit).

autenticidade sem controle de dados não sustenta relação e transparência passa a ser parte do preço.

tempo também é moeda:

  • 35% passam >4 h/dia em redes;

  • tiktok lidera uso diário (83%), youtube vem em seguida;

  • no fim de semana, o consumo multi-horas é padrão.

  • notícia, entretenimento e compra convergiram: 77% compraram algo influenciados por social nos últimos 6 meses;

  • tiktok lidera descoberta de produto (52%); 69% confiam mais no comentário de usuário do que em anúncio.

a fórmula é: formato certo + narrativa + coerência, com prova social em tempo real.

a gen z precifica atenção como escassez e confiança como evidência. mensagem genérica e “segura” perde o leilão de segundos — e, depois, o de carteira.

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ubs, “creator capital”: como falar com creators e gen z

a UBS trata creators como um segmento patrimonial “de verdade”, não só de awareness. com o discurso “build wealth beyond the feed”, a empresa criou um hub de sports & entertainment dentro do wealth e trouxe dados que dimensionam o mercado:

mais de 2 milhões de creators em tempo integral já ganham 100 mil dólares/ano; e a economia de criadores pode se aproximar de meio trilhão de dólares até 2027.

como eles estruturam a conversa?

  1. mapeiam fontes de receita – ads, brand deals, afiliados, assinaturas, merch, collabs, consultorias/eventos.

  2. explicitam os riscos operacionais do ofício — receita irregular dependente de algoritmo e deals, dependência de plataforma; incluem risco de ban/alteração de regras, reputação/marca (endossos controversos), questões legais (contratos/IP/tributação), privacidade/segurança e burnout.

  3. amarram tudo em boas práticas táticas – diversificar plataformas, ler contratos, planejar impostos.

o projeto materializa o “UBS wealth way” — com 3 caixas de tempo para organizar decisões:

  • liquidez – fluxo e despesas de curto prazo

  • longevidade – metas de médio/longo

  • legado – doações, família, intergeracional

parceria global com zoomers

na última semana, a UBS se tornou parceira financeira exclusiva da young investors organization (YIO), rede global de next-gen (média de 35 anos), ampliando programas com foco forte em ásia-pacífico.

a YIO reporta ~1.900+ membros em 75+ países

a ásia-pacífico despontou como uma potência da riqueza da próxima geração, refletindo o forte dinamismo empreendedor da região e o aumento das transições intergeracionais.

a UBS explicita a parceria com a YIO dentro do stack de educação + peer exchange — o que indica algo bem maior do que um “patrocínio”.

esse é um caminho natural de grandes marcas globais, mas bem inovador para o nosso mercado: o acesso mudou de “mídia” para “comunidades”: com educação contínua, mentoria, eventos com narrativa pública e materiais reaproveitáveis.


money in motion

o capital já está se mexendo. a mckinsey projeta entre US$ 6 e 10,5 tri em realocações nos próximos cinco anos, puxadas por três vetores:

  1. uma recalibração “local-for-local”

  2. a convergência público–privado via estruturas semilíquidas/evergreen

  3. a “maioridade” dos ETFs ativos.

1) “local-for-local”

a mckinsey identifica sinais táticos de ajuste geográfico: europeus, por exemplo, reduziram exposição a estratégias dos EUA no 2º tri/2025; já investidores americanos seguiram majoritariamente domésticos.

um report publicado em setembro desse ano conclui que trata-se de um reset tático, não rotação estrutural, e uma janela para captação “no próprio país”, sobretudo na europa. mesmo assim, 1 p.p. de giro fora de ativos dos EUA já implicaria ~US$ 1 tri “em movimento”.

quando houver preferência por soluções onshore em cada mercado, abre-se espaço para falar a linguagem local (wrapper, tributação, liquidez operacional) sem tirar a internacionalização de pauta.

2) público–privado, semilíquidos/evergreen e o papel dos secundários

no canal de private wealth (EUA), veículos evergreen/semilíquidos atingiram US$ 348 bi de AUM e US$ 64 bi de entradas em 2024. em paralelo, secundários viraram válvula crítica de liquidez, com AUM global > US$ 700 bi e ~US$ 130 bi captados em 2024. juntos, esses fluxos já “preenchem” 15–20% da lacuna anual de captação versus 2021.

por que isso importa para o cliente brasileiro (inclusive gen z/afluente)?

produtos semilíquidos só ganham tração quando o investidor entende, de forma pública e repetível, tempo, liquidez e saída (horizonte, janelas/gates e papel do secundário). é o mesmo racional de confiança que a geração z aplica a qualquer serviço financeiro: “me mostre como funciona — inclusive o caminho de volta”.

3) ETFs ativos no centro da prateleira

2025 marca a “chegada” dos ETFs ativos: nos últimos cinco anos, >1.400 lançamentos; hoje, ~1.700 (ações + renda fixa). embora sejam 7% do AUM de ETFs (2024), levaram 37% dos fluxos e ~24% da receita de ETFs em 2024.

metade dos fluxos vem de substituição (sobretudo mutual funds ativos) e metade é dinheiro novo/realocação (passivos, ações individuais, caixa etc.).

como isso é tropicalizado: mesmo com diferenças de adoção entre mercados, o ETF virou idioma de acesso à gestão ativa (liquidez intradiária, eficiência fiscal do veículo) — um formato que permite ticket menor, fricção baixa de entrada/saída e didática de tese que conversa bem com a base jovem.

quem está movendo esse dinheiro?

em 2024, pessoa física respondeu por >80% dos fluxos líquidos globais — exatamente os canais onde semilíquidos/evergreen e ETFs (ativos e passivos) escalam mais rápido.

dentro de wealth, investidores HNW reequilibraram entre públicos e privados, com apetite por ETFs e veículos híbridos; é nesse funil que o cliente jovem/afluente brasileiro começa a aparecer com mais frequência.


quem tem autoridade?

autoridade saiu do PDF e passou a acontecer onde a audiência arbitra o que é informação e quem tem legitimidade para transmiti-la.

  • a edelman mostra queda de confiança em instituições e maior abertura a marcas com coerência entre discurso e prática;

  • o gen z lab indica coautoria com creators (não propaganda sobre eles) como atalho de legitimidade cultural.

  • a morning consult 2025 posiciona plataformas nativas de creator (como youtube) entre as marcas mais confiáveis para zoomers — ganha quem se apresenta, não quem só “veicula mídia”.

  • no jornalismo, o reuters institute confirma a ascensão dos news creators (vídeo curto, fora de redações tradicionais).

  • em wealth, a J.D. power 2025 aponta “confiança” e “facilidade de fazer negócios” como principais drivers de satisfação;

  • há apetite de millennials/gen z por advisor, desde que a autoridade apareça onde a atenção mora e fale como responsável por decisões.


vanguard, “in my finance era”: fundamentos snackable

Maximize Your Savings: In My Finance Era | Vanguard - YouTube

a vanguard lançou, em setembro desse ano, a série “in my finance era” com cinco episódios curtos (10 a 20 min) e títulos no formato de busca:

  1. “how much should i save?”

  2. “what is an emergency fund?”

  3. “what is apy?”

  4. “maximize your savings”

  5. “how to save money”

cada episódio traz especialistas internos (ex.: head de cash strategy, behavioral economics, cash management, brokerage & investments) e links para artigos/guias e para o produto de caixa (cash plus).

a série está disponível no apple podcasts, spotify e em uma playlist própria no youtube.

a mecânica editorial

os episódios seguem um mini-roteiro repetível:

definição clara → regra de bolso → trade-offs → link para guia/conta apropriada.

  • no episódio de “how much should i save?”, por exemplo, o convidado discute reserva e dinâmica de renda/gasto;

  • em “what is apy?”, a head de cash management explica juros compostos e comparação de opções de caixa;

  • o de “emergency fund” trata da diferença entre poupar e investir com ângulo comportamental.

o detalhe que ajuda a conversão: todos os episódios levam, na descrição, para páginas educativas e para a vanguard cash plus account (usando contexto, não propaganda).

não por acaso…

vanguard aparece como a favorita dos gen-z em um estudo feito pela J.D. power

autenticidade não é só tom

não é só estilo de conversa, é processo verificável: declarar limites, expor trade-offs, manter rastro (o que foi dito, quando, com que base).

isso reduz assimetria entre promessa e entrega e conversa com quem desconfia das plataformas, mas premia transparência – 72% confiam mais com disclosure claro; 81% se preocupam com dados.

no regulatório, os trilhos estão mais definidos:

  • a SEC permite testimonials e endorsements com disclosures e controles; em mar/2025, publicou FAQs que padronizam períodos e apresentação para evitar indução a erro.

  • a FCA consolidou a fg24/1: promoção deve ser justa, clara e não enganosa; limitação de caractere não justifica omissão; risco material precisa ser visível. em 2025, intensificou naming de investigações.

  • a IOSCO encerrou 2025 com relatório final sobre finfluencers: verificação de credenciais, conflitos à mostra e marcação explícita de recomendação; incentivo a outreach e enquadramento de excessos.


o paradoxo da confiança

sempre online, raramente expostos. a preferência dos gen z vai para discord/reddit, modos anônimos e decisão em privado — estratégia para reduzir risco social e informacional.

  • 54% usam ad-blockers;

  • >40% ajustam privacidade na primeira semana de uso;

  • 61% priorizam criptografia de ponta-a-ponta;

  • 70% leem (ao menos em parte) a política de privacidade;

  • 66% relatam impacto das redes na saúde mental e 55% fizeram “detox” no último ano.

pedem prova, não promessa.

comunicação que exige dado demais e entrega transparência de menos aumenta risco de confiança.


o custo do “tom seguro”

o “seguro” não protege. ele apaga.

ainda te custa alcance, tempo útil e preferência. no feed que decide atenção por segundos e evidência, autoridade nasce de clareza.

quando a peça é polida, genérica e sem posicionamento claro, três coisas acontecem ao mesmo tempo:

  1. reação do público – aversão ativa

    • a audiência desliza o feed sem pensar: 67% da gen z pula o que não diverte/ensina.

    • “cara de anúncio” liga o alerta: 70% se irritam com retargeting agressivo. o resultado é ocultar/mutar/marcar como “não é relevante”.

    • a estética “perfeitinha” comunica distância: 85% engajam mais com vídeos caseiros do que com peças de design; UGC rende 4,2× mais engajamento do que conteúdo “de marca”.

  2. reação do algoritmo – rebaixamento calculado

    • pouco dwell time e baixo vtr derrubam distribuição orgânica; o feed aprende que sua peça “não segura” e mostra menos.

    • falta de saves e sends sinaliza “baixo valor”: sem prova de utilidade, a entrega cai justamente entre públicos mais valiosos.

    • recorrência de rejeição (pular, ocultar, “não mostrar mais”) aumenta o “custo por segundo útil” nas próximas campanhas — você passa a pagar mais para recuperar alcance básico.

  3. efeito funil (custo de oportunidade real)

    • descoberta: o “seguro” perde o leilão dos primeiros 2–3 segundos; você desaparece antes de mostrar a tese.

    • consideração: sem voz responsável e trade-offs explícitos, o usuário não salva nem volta — e sua marca não entra na memória.

    • intenção: como 69% pesam mais o comentário de usuário do que anúncio, a peça neutra não gera prova social; você vê audiência, mas não vê mão levantada.

    • compra: num ambiente em que 77% já compraram influenciados por social e tiktok lidera descoberta (52%), quem não oferece rastro não cria gatilho.

por que a “peça perfeita” falha (mesmo com boa produção)?

  • linguagem de distância: formalismo e slogans soam como “comunicado” — e a gen z confia em pessoas que assumem responsabilidade em público, não em frases sem dono.

  • falso conforto: neutralidade evita risco reputacional no curto prazo, mas desloca autoridade para creators que explicam o mesmo tema com contexto e limite (e levam a conversa).

  • fricção cognitiva: quando falta “o que é / para quem é / o que não é”, o cérebro classifica como publicidade e economiza atenção.

o que funciona no lugar – com a mesma régua e outra estética:

pessoas reais + cenário + trade-offs + rastro de decisão

  • proximidade: 74% seguem creators menores (<100k) e só 18% confiam em celebridades — a confiança vem de quem mostra bastidor e admite limite.

  • utilidade imediata: curto, direto, com a resposta que ajuda agora (e com link para aprofundar).

  • coerência regulatória: quando há disclosures claros e versão pública, a autenticidade vira processo verificável — exatamente o que essa audiência premia.

se o seu time ainda chama de “mídia” o que a geração z chama de conversa, você está comprando silêncio caro.

conteúdos e interações precisam aparecer onde a atenção vive e com utilidade imediata. quem insiste no tom neutro e no vídeo perfeito perde o leilão de segundos e cede autoridade para quem explica melhor e mais rápido.


fontes e referências

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