4 set. 2025 · luise villa

finders take disney

entre o disney institute e o finders take miami: um olhar sobre detalhes, disciplina e encantamento no mercado financeiro

toda vez que volto à disney é como atravessar um portal: as músicas que tocam no background e mudam conforme o lugar, o cheiro de mickey waffle vindo das confeitarias, as filas temáticas que já trazem a experiência do brinquedo desde o começo. nada ali é deixado ao acaso, e por isso é uma experiência que nunca envelhece, nunca sai de moda.

hello, disney world!

dessa vez, porém, eu não estava apenas como “mommy” ou um “disney adult”. eu estava como consultora, carregando comigo a responsabilidade de transformar o finders take miami em uma experiência com a mesma intencionalidade que aprendi a observar na disney.

o trio da organização (gabriela braga, nati honold e luísa benedetti)

essa preparação começou muito antes da chegada dos mais de 70 finders (financial advisors) ao coronado springs. não basta desenhar uma agenda e confiar no papel: é preciso estar presente. por isso fiz questão de ir pessoalmente, caminhar os corredores, testar trajetos, conferir detalhes junto com o time da avenue.

cada confirmação, cada reserva, era parte de um sistema que, se funcionasse bem, passaria despercebido — mas se falhasse, seria lembrado para sempre. foi nesse equilíbrio que o meu papel se desenrolou: entre o que não aparece e o que precisa brilhar.

uma das experiências que organizamos para os finders foi um curso exclusivo do disney institute sobre qualidade de serviço e como encantar o cliente.

pensamos em cada detalhe: do tour pelo magic kingdom até a visita aos famosos “túneis” subterrâneos — que, na verdade, pasmem, não são subterrâneos. eles ficam no primeiro andar do parque, e tudo o que vemos acima é, na prática, o segundo andar. sim, o castelo da cinderela está construído no segundo piso. essa revelação sozinha já fez muita gente olhar o parque com outros olhos.

os finders ficaram alucinados com a experiência e, quando fizemos o nosso debrief no caminho de volta do magic kingdom, cada um tinha algo a acrescentar: como aplicar a bússola do serviço, como olhar para os pontos de contato de forma mais crítica, como traduzir tudo isso para o dia a dia deles como finders.

foi nesse momento que entendi que a magia da disney não estava só na visita, mas em como a imersão abriu espaço para que cada um refletisse sobre o próprio trabalho.

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finders no magic kingdom durante o backstage tour do disney institute

" qual é a fórmula do nosso sucesso? é atenção infinita aos detalhes, às pequenas coisas, realmente pequenas, coisas difíceis com as quais os outros não querem perder tempo e dinheiro e não se dão ao trabalho de fazer. "

-john hench, walt disney imagineering

serviço excepcional é alcançável

esse conceito do disney institute me marcou porque desmonta a ideia de que excelência é obra do acaso. no evento, eu vivi isso na prática: excelência foi garantir que cada ônibus da mears saísse no horário, que cada gift card estivesse no envelope certo, que o audiovisual funcionasse antes de qualquer convidado entrar na sala.

são tarefas que raramente aparecem nas fotos, mas que sustentam a percepção de cuidado. sem isso, qualquer experiência perderia força.


entenda o cliente como um todo

não havia um público genérico: eram profissionais com bagagens diferentes e expectativas diferentes. alguns buscavam densidade técnica, outros queriam reconhecimento, outros só estavam ali porque a disney é a disney. se a gente tivesse tratado esse grupo como geral a experiência teria sido rasa. a agenda foi distribuída assim: momentos densos de aprendizado intercalados com pausas de convivência, “recompensas” distribuídas ao longo da semana em vez de entregues todas de uma vez.

  • garrafas e ventiladores da vanguard no primeiro dia de parque e antes do welcome dinner

  • cadernos e porta-carregadores antes das palestras da catalyst e da goldman

  • bonés (blackrock e aegon)

  • óculos (global x) reservados para o dia mais ensolarado, antes de irmos ao epic.

cada escolha respondia não apenas a uma necessidade, mas a um contexto.

preparação dos welcome kits antes dos finders chegarem
welcome kit
park “kit” com brindes pensados para um dia de parque

mapeamento de pontos de contato

aprendi que a experiência não se define em um único momento, mas em como cada ponto é tratado: check-in, transporte, refeições, ambientação. no evento, olhamos para cada um desses pontos como oportunidades de reforçar a narrativa da avenue e dos patrocinadores.

a vanguard, por exemplo, não precisou de discursos para se destacar: ela já estava nas mãos de todos desde a primeira noite. os brindes não foram extras e sem contexto mas sim ferramentas de conexão.


a ferramenta da bússola: necessidades, expectativas, opiniões, sentimentos

no mercado, a tendência é olhar apenas para a necessidade mais óbvia: rentabilidade, produto, retorno. mas quando voltamos do backstage tour, um dos finders comentou como muitas vezes um investidor pode até estar satisfeito com o resultado financeiro, mas se sente mal atendido porque não teve expectativa ou opinião consideradas, ou porque a ansiedade dele não foi reconhecida.

e é isso que a bússola mostra: o cliente não é só patrimônio.

é expectativa de transparência, é opinião formada em conversas periódicas, é o sentimento de insegurança em relação ao futuro. atender a necessidade sem olhar para as outras camadas não constrói lealdade.


excelência em um mundo imperfeito

talvez o ponto mais realista do disney institute. porque o imprevisto sempre aparece. e foi interessante ouvir dos finders no debrief como eles lidam com isso nos escritórios: o atraso na entrega de um relatório, uma call que cai no meio, um erro num material enviado.

o que diferencia é a rede de recuperação. não é fingir que nunca haverá falhas, mas como você sustenta confiança quando elas acontecem.

no evento, eu precisei resolver ajustes de última hora para que ninguém sentisse o impacto. no dia a dia deles, a mesma lógica se aplica: não é o erro que afasta o cliente, é a forma como você responde a ele.

happy hour que organizamos no dahlia lounge, junto com os patrocinadores. nessa foto: gabriela, eu, luísa, paula souza da vanguard e felipe son da franklin templeton

faça tudo com intenção

se teve um ponto que todos concordaram no ônibus de volta, foi esse. a disney ensina que até o improviso é ensaiado. e no mercado financeiro, isso significa que até a conversa de corredor, até a mensagem rápida no whatsapp, pode ser desenhada com intenção.

não significa robotizar o relacionamento, mas sim entender que cada microcontato comunica algo. se não houver intenção, a experiência vira acúmulo de informação. se houver, cada detalhe vira parte de uma narrativa consistente.

fogos do epcot no welcome dinner que planejamos para os finders

no fim, eu saí com a certeza de que serviço excepcional é estruturado, mas também é escolha. como a gabi (gabriela braga da avenue), minha amiga e parceira de viagem (junto com a perfeita luisa benedetti, também da avenue), postou ontem: sonhar pequeno e sonhar grande dá o mesmo trabalho.

então, por que não sonhar grande? acho que essa viagem foi isso — sonho, organização, planejamento, aprendizado e, principalmente, conexões que a gente vai levar daqui pra frente.

obrigada, avenue, por acreditarem no nosso trabalho e por compartilharem essa experiência tão especial com a fnmk.

e eu termino com uma frase que ficou martelando na cabeça esses dias: “it’s kind of fun to do the impossible.” — walt disney.

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