1 dez. 2025 · luise villa

esse non videri

legado também é o que você escolhe ler

em linköping, no interior da suécia, um prédio simples concentra uma das decisões mais sofisticadas de política industrial do momento.

Investor AB (publ) (INVE B) Company Information - Simply Wall St

lá dentro, uma “fábrica de AI”: centenas de servidores alinhados, 1.152 GPUs nvidia, um consórcio de gigantes industriais compartilhando capacidade de computação como quem compartilha uma infraestrutura de estradas.

não é um laboratório estatal, nem mais um unicórnio em busca de manchetes. no centro desse arranjo está uma família que quase ninguém reconhece na fila do embarque, mas que há mais de um século coreografa a economia sueca: os wallenberg.

essa dinastia quase anônima na mídia é acionista de referência em ABB, ericsson, atlas COPCO, SAAB, SKF, SEB, electrolux, EQT e outras peças estruturais do país.

em determinados períodos do século XX, empresas orbitando o “wallenberg sphere” chegaram a concentrar uma parcela desproporcional do emprego industrial e do valor de mercado local.

em vez de transformar esse poder em espetáculo, eles ancoraram tudo em uma frase em latim – esse non videri. ser, não parecer.

o que torna os wallenberg especialmente relevantes para quem está planejando 2026 é a forma como eles tratam informação e conhecimento. o mecanismo é quase elegante demais na simplicidade:

  • investor ab, o veículo de investimento da família, mantém participações de longo prazo em empresas globais;

  • os dividendos alimentam um conjunto de fundações que devolvem o capital ao país em forma de pesquisa básica, laboratórios, bolsas, cátedras, programas inteiros em ciência, tecnologia e humanidades.

eles criaram uma estrutura cognitiva a serviço do próprio ecossistema.

quando a pauta deixou de ser apenas “indústria pesada” e passou a ser AI, a família não reagiu com um slide deck sobre inovação – financiou o maior programa de pesquisa da história da suécia em inteligência artificial, sistemas autônomos e software.

em paralelo, bancou um programa espelho em ciências humanas para discutir o impacto dessa tecnologia em trabalho, política, desigualdade, linguagem.

e, num terceiro movimento, ajudou a ancorar o datacenter de linköping: uma fábrica de AI destinada a treinar modelos em escala, com contexto local e sob o guarda-chuva de quem decide capital há gerações.

é uma forma específica de exercer o legado: usar o fluxo de dividendos não apenas para preservar fortuna, mas para garantir que o ambiente intelectual ao redor das empresas – universidades, pesquisadores, conselhos, talentos – esteja permanentemente alguns passos à frente.

enquanto boa parte do mercado global negocia tempo para ler mais um “outlook 2026” entre um call e outro, os wallenberg estão ocupados desenhando o terreno sobre o qual esses relatórios serão escritos.

hoje vamos falar sobre como uma família sueca escolheu investir na cabeça das pessoas ao redor do capital, para olhar com um pouco mais de frieza para o que líderes de gestoras, bancos, wealths e family offices no brasil têm feito com o próprio repertório.

porque, guardadas todas as proporções, a pergunta que transita essa história é: quanto do seu poder – e do seu orçamento – está realmente comprometido com a capacidade do seu time de ler o mundo antes do consenso?

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um país inteiro na mão de uma família

antes de falar de fábrica de AI, vale entender quem são as pessoas que ligam esses botões.

os wallenberg nasceram como uma linhagem de banqueiros do século XIX. a partir do antigo stockholms enskilda bank, eles foram costurando participação em empresas industriais estratégicas – primeiro na suécia, depois no resto do mundo.

3/ The Wallenberg empire was initially started when André Oscar Wallenberg decided to quit his career as a naval officer at 30 y/o to become a bank entrepreneur. In 1856, he founded Stockholms Enskilda Bank, which later became $SEB (a $25B mcap today) where $INVE still holds 21%.

quando uma mudança regulatória proibiu bancos de manter ações industriais por muito tempo, em 1916, a família simplesmente criou outro instrumento: a investor ab, holding que herdou as participações do banco e passou a ser o braço oficial de investimento do clã.

um século depois, esse arranjo discreto se traduz em algo bastante concreto: a família, via investor ab e estruturas correlatas, é acionista de referência em empresas como ABB, ericsson, atlas COPCO, SAAB, SKF, SEB, electrolux, EQT, entre outras.

relatórios recentes descrevem a investor como “a berkshire hathaway sueca”: uma companhia de investimentos com NAV ajustado em torno de 1 trilhão de coroas suecas, 24 empresas em portfólio e retorno médio anual de 15% nos últimos 20 anos.

a família detém pouco mais de 23% do capital, mas controla cerca de metade dos votos – o suficiente para definir a direção, sem precisar concentrar tudo no próprio balanço.

o mais interessante, porém, não está nos números.
está no jeito de ocupar esse lugar.

a própria família descreve o seu credo com a frase em latim “esse, non videri” – ser, e não parecer. marcus wallenberg sr. adotou a expressão oficialmente em 1931, e ela acabou virando síntese de um certo estilo de poder: foco em “fazer o trabalho” e evitar qualquer teatralidade que distraia do longo prazo.

o valor da família não está na visibilidade, e sim na capacidade de continuar relevante sem precisar ocupar o centro da cena.

ao mesmo tempo, o que a imprensa financeira chama de “wallenberg sphere” – o conjunto de empresas nas quais a família exerce influência efetiva – funciona quase como um país paralelo: uma rede de farmacêuticas, indústrias, bancos, empresas de tecnologia e serviços que, em momentos específicos da história, chegou a representar uma fatia desproporcional do emprego industrial e do PIB sueco.

é um grau de concentração de poder que, em qualquer outro contexto, geraria biografia autorizada, documentário em streaming, conferência com ingressos esgotados. aqui, gera relatórios anuais personalizados, atas de conselho densas e uma presença quase fantasmática no noticiário.

é justamente essa combinação – escala estrutural + invisibilidade deliberada – que torna os wallenberg um bom ponto de partida para pensar 2026.

quando uma família com esse nível de influência decide que o centro da estratégia não é aparecer, mas construir infraestrutura de conhecimento ao redor do próprio capital, o que está em jogo deixa de ser “como eles ficaram ricos” e passa a ser “como eles pretendem continuar relevantes na próxima era tecnológica”.

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o motor invisível

se a seção anterior é sobre quem segura o volante, essa aqui é sobre o motor – e ele não está onde a maior parte do mercado costuma olhar.

no desenho wallenberg, investor AB é só a face mais visível de um sistema maior.

atrás da holding listada, existe uma engrenagem relativamente simples e extremamente consistente:

  • empresas operando

  • lucros sendo distribuídos

  • dividendos fluindo para um conjunto de dezesseis fundações

  • e essas fundações devolvendo o dinheiro ao país em forma de pesquisa, infraestrutura acadêmica e projetos de longo prazo. é um circuito fechado de capital paciente e conhecimento acumulado.

a lógica começou cedo

desde 1917, as fundações wallenberg vêm financiando universidades e centros de pesquisa suecos em escala que nenhum outro doador privado conseguiu igualar.

ao longo do tempo, isso virou números relevantes: dezenas de bilhões de coroas suecas alocadas em bolsas individuais, equipamentos de laboratório, grandes programas temáticos em ciências naturais, engenharia, medicina, matemática, humanidades.

não é um cheque pontual que compra naming right de auditório, mas a decisão de ancorar, ano após ano, a base intelectual de um país inteiro.

do ponto de vista da família, isso não é altruísmo romântico

se o seu patrimônio está concentrado em empresas industriais e tecnológicas que dependem de talento, pesquisa e capacidade de inovar em ciclos de décadas, deixar a infraestrutura de conhecimento “aos cuidados do mercado” é um luxo que você não tem.

a solução encontrada pelos wallenberg foi tratar universidades, institutos e programas de pesquisa como extensão da própria estratégia de dono – tão relevantes quanto conselho fiscal ou comitê de auditoria.

há um detalhe importante nessa escolha:

o foco não é financiar apenas aquilo que tem retorno rápido ou aplicabilidade óbvia.

as fundações bancam desde projetos de fronteira em física teórica até longos programas em biomedicina, passando por matemática pura, ciência de materiais, tecnologia da informação.

em paralelo, começam a alocar volumes crescentes também em humanidades e ciências sociais, justamente para entender o contexto em que essas tecnologias vão operar.

é um portfólio intelectual diversificado, tão ou mais sofisticado que qualquer carteira de alternativos.

quando você olha o sistema por esse ângulo, investor AB passa a ser uma peça de uma máquina de composição intergeracional:

  1. participações relevantes em empresas globais geram fluxo estável de dividendos;

  2. dividendos financiam capacidade científica;

  3. capacidade científica alimenta, no médio prazo, a competitividade das mesmas empresas que pagam os dividendos.

o que em outros lugares é linha de “responsabilidade social” no relatório anual, aqui é tratado como estrutura.

jacob wallenberg em 2025, ao receber um doutorado honoris causa na universidade de vaasa

jacob resume a lógica das fundações wallenberg em uma linha:

investir em pesquisa básica e aplicada porque “progresso científico e conhecimento estão no coração da competitividade, do crescimento econômico e do desenvolvimento social”.

é a versão diplomática de uma decisão muito simples: parte do dividendo volta para o cérebro do país.

para quem está no brasil, acostumado a ver educação e pesquisa como rubrica contingenciável do orçamento público e como pauta periférica no debate corporativo, essa história soa quase como ficção científica.

mas é exatamente ela que permite aos wallenberg encarar temas como AI, biotecnologia, transição energética ou segurança cibernética com uma serenidade que pouca gente tem:

eles não estão apenas consumindo relatórios sobre o assunto, estão financiando os lugares onde esse conhecimento é produzido.

é nesse ponto que a história começa a se aproximar de 2026.

para essa família, “ficar bem informado” nunca foi uma questão de assinar a newsletter certa. sempre foi uma decisão estrutural sobre onde o dinheiro dos dividendos seria aplicado.


legado em modo futuro

quando a discussão global começou a girar em torno de AI, muita gente respondeu comprando ferramenta, contratando palestra e escrevendo uma política interna apressada.

os wallenberg fizeram outra coisa: pegaram o mesmo motor de dividendos da seção anterior e giraram em uma rotação diferente. em vez de “implementar AI”, decidiram financiar a infraestrutura intelectual e técnica que faria a suécia inteira levar o tema a sério por décadas.

o primeiro movimento tem nome e sigla:

WASP – wallenberg AI, autonomous systems and software program.

o enunciado oficial é protocolar, mas o que está por trás é simples e ambicioso: construir, a partir das universidades suecas, massa crítica de pesquisadores, doutorandos e engenheiros capazes de trabalhar em AI, sistemas autônomos e software em nível de fronteira.

é o maior programa individual de pesquisa já financiado no país, com escola de doutorado própria, chamadas contínuas e uma ponte explícita entre academia e empresas do “wallenberg sphere”.

o segundo movimento é menos óbvio – e talvez mais sofisticado

paralelo ao wasp, a família banca o WASP-HS, um programa inteiro dedicado a humanities and society.

WASP-HS | Wallenberg AI, Autonomous Systems and Software Program - Humanity  and Society

o que acontece com trabalho, democracia, mercado financeiro, mídia, linguagem, quando sistemas autônomos passam a mediar tudo?

é dinheiro grande colocado em filósofos, juristas, sociólogos, economistas, cientistas políticos. o mesmo fluxo de dividendos que paga robô também paga quem vai tensionar o uso desse robô.

numa indústria acostumada a separar “hard” e “soft” como se fossem mundos distintos, essa escolha é quase um lembrete sobre o que significa ser o responsável por infraestrutura tecnológica.

o terceiro movimento é o mais visível

transformar essa ambição em hardware concreto. nasce daí a “fábrica de AI” em linköping, uma empresa e um datacenter montados em consórcio entre wallenberg investments e alguns dos pesos-pesados industriais e farmacêuticos do país.

anders ynnerman, diretor do programa de AI

a imagem é prosaica: um prédio sem glamour, fileiras de racks, 1.152 GPUs de última geração trabalhando em conjunto. o objetivo é estratégico:

garantir que as empresas suecas tenham capacidade própria de treinar e rodar modelos grandes de AI, com dados, latência e requisitos regulatórios alinhados ao contexto local – sem depender inteiramente da generosidade ou do pricing de terceiros globais.

na prática, isso significa que a mesma família que há um século cuidava de crédito industrial e governança bancária hoje está, literalmente, desenhando a camada de computação que vai sustentar o próximo ciclo tecnológico do país.

o fio que conecta tudo é o mesmo:

  • capital paciente

  • aversão a espetáculo

  • obsessão com o que acontece quando as decisões de hoje encontram o mundo daqui a dez, quinze anos.

enquanto boa parte do mercado trata AI como mais um hype a ser “implementado” em projetos piloto dispersos, os wallenberg estão ocupados construindo a usina que vai abastecer centenas de decisões de produto, risco e alocação ao longo da próxima década.

a partir desse momento, o tema deixa de ser uma curiosidade sueca e começa a se aproximar da rotina de quem faz gestão de capital em qualquer lugar do globo.


biblioteca viva: quando o topo estuda junto

tem uma camada que quase nunca entra no discurso de “legado” e que, no caso wallenberg, é central:

o que eles fazem com quem está sentado no topo das empresas?

o modelo da investor AB é explícito: não basta ter participação relevante; é preciso estar presente no conselho, usar experiência industrial e networking para “tornar as empresas best-in-class”.

não é um fundo passivo, é um acionista que se compromete, no próprio estatuto, a influenciar estratégia, governança e capacidade de execução ao longo de muitos anos.

a lógica é simples: se você depende da qualidade do julgamento de CEOs e conselheiros, então a esteira de conhecimento não pode parar na universidade. ela precisa entrar na sala de reunião.

é aí que o ecossistema wallenberg deixa de ser um conjunto de participações e passa a funcionar como um sistema nervoso: fóruns recorrentes, grupos temáticos e rituais em que quem decide capital é, de certo modo, obrigado a continuar estudando.

parte disso acontece dentro da própria investor AB, via comitês, encontros regulares com management e um trabalho contínuo de alinhamento entre conselhos das empresas do portfólio.

outra parte acontece numa camada mais ampla, que inclui estruturas como a combient: um joint venture criado em 2015 por onze grandes grupos nórdicos – atlas COPCO, electrolux, ericsson, FAM, investor AB, LKAB, SAAB, SEB, sigma, SKF, stora enso – para acelerar a digitalização e a adoção de AI em conjunto, em vez de cada um reinventar a roda sozinho.

a combient se descreve hoje como a principal rede de colaboração cross-industry dos países nórdicos, conectando quase quarenta empresas a universidades e startups, criando espaços compartilhados para testar casos de uso, dividir aprendizado, atrair talentos.

sob a lente wallenberg, ela é quase uma business unity paralela de continuing education para c-levels e times estratégicos:

um lugar onde o discurso sobre “transformação digital” tem consequência concreta em projetos, métricas e decisões de investimento.

o resultado é um desenho de cultura que foge tanto do “cada um por si” quanto do teatrinho de offsite anual: em vez de workshops pontuais, existe uma rotina de exposição a ideias novas, dados, benchmarks, experiências de pares.

conselheiros e executivos dos grupos ligados à família

  1. circulam pelos mesmos fóruns

  2. escutam os mesmos pesquisadores que as fundações financiam

  3. são confrontados pelas mesmas perguntas sobre AI, clima, segurança, competitividade

conhecimento deixa de ser uma biblioteca de arquivos em pdf e passa a ser um ambiente compartilhado, quase um clima organizacional intelectual.

isso tem implicações diretas na forma como o risco é percebido e como as prioridades são definidas.

quando um tema como AI entra na agenda, ele não aparece apenas como linha em “tecnologia” na matriz de riscos: ele chega carregado de contexto – científico, regulatório, social – que foi trabalhado previamente em programas como o WASP, o WASP-HS e as redes de colaboração entre empresas e academia.

a conversa de conselho, nesse cenário, começa em outro patamar. visto de fora, o desenho cultural pode parecer luxo escandinavo. mas, no fundo, ela responde a uma intuição bastante pragmática:

empresas não tomam decisões. pessoas tomam.

se você não investe sistematicamente na qualidade da informação, do repertório e das referências das pessoas que comandam a alocação de capital, está apenas torcendo para que a inércia jogue a seu favor.

os wallenberg escolheram não depender dessa sorte. preferiram construir, pacientemente, uma espécie de biblioteca viva – feita de relatórios, sim, mas também de rituais, redes e obrigações intelectuais inclusive para quem ocupa o topo do organograma.


um espelho incômodo para líderes em 2026

chegando até aqui, é tentador encaixar os wallenberg na prateleira confortável do “caso sueco”. admirar à distância, salvar um trecho, talvez citar o lema em uma apresentação – e seguir a vida como se fosse uma espécie de ficção nórdica incomparável com a nossa realidade.

só que a história deles não está falando de cultura. está falando de hierarquia de prioridades.

quando uma família decide, por mais de um século, que uma parte disciplinada do fluxo de dividendos será destinada a pesquisa, formação de gente e construção de capital intelectual, ela está fazendo uma escolha que qualquer organização, em qualquer latitude, tem que fazer em escala menor:

quanto do que você gera volta, de forma estruturada, para a cabeça das pessoas que tomam decisão ao seu lado?

no brasil, a resposta implícita costuma aparecer no orçamento. educação de time, repertório, leitura de mundo entram quase sempre como linha elástica:

  • treinamentos pontuais

  • um ou outro curso assíncrono

  • acesso a meia dúzia de relatórios “premium” que poucos abrem

na prática, um sistema que trata informação estratégica como benefício acessório – algo que se encaixa quando “sobra tempo”, não como parte do trabalho.

sob a lente wallenberg, essa lógica parece, no mínimo, arriscada.

se o seu negócio depende de interpretar ciclos macro, ler movimento regulatório, entender como AI, transição energética, mudanças demográficas e novas formas de riqueza estão redesenhando o mapa, terceirizar o repertório é o caminho mais rápido para perder relevância.

você continua com o capital, mas abre mão da autoria sobre a leitura de mundo que orienta esse capital.

não se trata de replicar a escala sueca, nem de romantizar fundação filantrópica. trata-se de reconhecer o ponto em comum: uma gestora média, um family office, uma área de wealth no brasil lidam, guardadas as proporções, com a mesma tensão que os wallenberg resolveram do jeito deles – como evitar que a organização vire apenas consumidora passiva do consenso produzido lá fora.

  • quanto do orçamento que você aprova, como sócio ou líder, está de fato comprometido com cultura e educação do seu time?

  • quantas horas por mês a sua liderança dedica, de maneira deliberada, a estudar o que está acontecendo no mundo – com profundidade, dados, contexto –, e não apenas a reagir ao que aparece na timeline?

  • quais são os seus “chairs’ circles”, ainda que informais, em que decisões de produto, risco, comunicação, relacionamento são consideradas a partir de leitura séria de relatório, e não por feeling?

se sua resposta é em forma de silêncio, não é porque falta opção. é porque, em algum momento, a organização naturalizou a ideia de que “ficar atualizado” é responsabilidade individual, não desenho estrutural.

cada analista se vira para acompanhar o que consegue;
cada sócio lê o que o tempo permite;
o resto é intuição e sobrevivência.

funciona até o ponto em que o ambiente muda rápido demais – e alguém percebe que, enquanto aqui se discutia se valia a pena assinar mais uma newsletter, lá fora tinha gente montando fábrica de AI para garantir soberania mínima na próxima curva.

talvez seja o momento ideal de olhar para o que você controla – orçamento, tempo, rituais, acesso a informação – com a mesma seriedade com que olha para o tracking de captação.

se legado, no seu contexto, significa alguma combinação de relevância, continuidade e capacidade de atravessar ciclos, ele começa menos em cafés da manhã egocêntricos e mais em decisões muito concretas sobre o que o seu time lê, discute e metaboliza ao longo do ano.


o 2026 que queremos construir juntos

se a história dos wallenberg serve para alguma coisa aqui, é como régua.

o que você, com os recursos que tem, escolhe construir em torno da cabeça das pessoas que trabalham na sua equipe?

a nossa resposta, na fnmk, começa por uma decisão quase prosaica: tratar relatórios, outlooks, white papers e pesquisas globais como matéria-prima estratégica – não como anexo opcional de e-mail.

2026 vai ser um ano em que o mercado financeiro vai falar, ao mesmo tempo, de AI em operações, de revisão regulatória em private markets, de redesenho de produtos para wealth e de novas geografias de riqueza.

isso já está acontecendo nos PDFs que circulam entre casas globais, consultorias, bancos de investimentos e reguladores.

a questão não é se eles existem. é quem está lendo, e com que filtro.

takeaways & predictions

disponível para assinantes pagos da vaultline. acesso pelo dashboard da fnmk.

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a biblioteca de reports da fnmk nasce exatamente a partir desse ponto. não como mais um drive caótico com links, mas como uma mini-infraestrutura de leitura:

uma curadoria contínua dos principais materiais publicados ao longo do ano – por gestoras internacionais, consultorias, private banks, organismos multilaterais, think tanks – organizada por tema, por tipo de decisão e, principalmente, pelo impacto que cada documento pode ter na realidade de quem opera no brasil.

isso pode mudar a forma como você pensa produto, distribuição, comunicação ou relacionamento nos próximos meses ou anos.

na prática, significa que cada relatório entra na nossa biblioteca a partir de alguns critérios:

  1. o que este documento nos diz sobre o comportamento de UHNWIs, sobre a profissionalização de family offices, sobre a forma como assets e wealth managers globais estão redesenhando sua oferta, sobre o papel de AI em investimentos, risco e atendimento?

  2. como isso conversa com o nosso ecossistema – com as gestoras locais, com os escritórios de wealth, com as áreas de RI e marketing que tentam, todos os dias, traduzir contexto global em movimento concreto de negócio?

a vaultline é o lugar onde essas leituras aparecem costuradas em narrativa. a biblioteca é o backstage: o acervo vivo onde você pode voltar ao texto original, comparar fontes, montar sua própria linha de raciocínio a partir da mesma matéria-prima.

mais de 500 reports entre 2025 e 2026

não é um favor intelectual. é uma escolha explícita de tratar repertório como parte da cultura que queremos fomentar no mercado – assim como os wallenberg tratam programas de pesquisa, clusters industriais e fábricas de AI como parte da cultura de negócio deles.

o desafio agora passa a ser menos uma questão de acesso e mais uma questão de decisão. a partir do momento em que essa biblioteca existe, atualizada, indexada e pensada para quem está do lado de cá da mesa, minha pergunta para sócios e líderes é:

quanto tempo, quanta atenção e quanto espaço na sua rotina de liderança você está disposto a reservar para, de fato, ler o mundo antes do consenso?


legado também é o que você escolhe ler

a história dos wallenberg não é uma fábula escandinava sobre sucesso. é um lembrete de que legado não se constrói só com decisões de alocação, mas com decisões de repertório.

uma família que poderia perfeitamente ter empilhado dividendos e vivido de inércia escolheu outro caminho:

amarrar o próprio futuro à capacidade de um país inteiro produzir conhecimento relevante.

financiar doutorados, laboratórios, programas de ciências e humanidades, redes entre empresas, hubs de inovação.

montar uma fábrica de AI não foi gesto de vaidade tecnológica, mas continuação lógica de um século de investimento em infraestrutura de cérebro.

vista por esse ângulo, a distância entre linköping e a faria lima, ou entre estocolmo e qualquer capital latino-americana, diminui um pouco. a pergunta que resume tudo é curiosamente simples e universal:

com o poder que você tem hoje – de orçamento, de influência, de tempo –, o que você está alimentando: a ansiedade de responder ao curto prazo ou a capacidade do seu time de enxergar dois, três movimentos à frente?

o trabalho que temos desenvolvido em relação a repertório é, assumidamente, uma resposta parcial a essa pergunta.

não resolve cultura sozinha, não substitui responsabilidade individual, não cria milagre. mas muda a base de jogo: tira a desculpa da falta de acesso, organiza o excesso de informação, aponta onde estão as teses que realmente importam para quem trabalha com capital, relacionamento e narrativa no mercado financeiro.

e então voltamos para o lugar de sempre: a mesa onde você senta todo dia.

entre um call de resultado e uma pauta de produto, entre um roadshow e um comitê de risco, alguém vai precisar decidir se leitura de mundo é ruído periférico ou parte estrutural do trabalho.

os wallenberg já fizeram a escolha deles há mais de cem anos. o próximo ciclo está aí para testar qual será a sua.

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