assessores, eventos e microsoft
se perguntar direitinho, todo mundo sai ganhando
os assessores de investimentos são, hoje, um dos principais canais de distribuição e conexão com o cliente final para muitas gestoras brasileiras. o número total de profissionais já passa de 26 mil e, no último ano, cresceu quase 10%, de acordo com a ANCORD.
nos últimos anos, eles têm se tornado mais digitais, mais criteriosos e, principalmente, sobrecarregados de eventos - boring, em sua grande maioria. se o relacionamento com esse público se mostra cada vez mais estratégico para as gestoras, por que o mercado continua insistindo em fórmulas ultrapassadas?

o clássico evento de sempre: moleskines enfileirados, apresentações cheias de poluição visual e coffee breaks protocolares. o máximo da inovação é criar um momento de degustação de vinhos. em que ano estamos?
já estive no seu lugar por alguns anos e sei que esse é um grande desafio para os times de marketing e RI. não basta mais reunir as pessoas em uma sala e esperar que a magia aconteça.
o problema: muitos eventos são desenhados com um entendimento raso do perfil do assessor, da sua rotina e das suas motivações. não é de se espantar que o engajamento pós-evento seja muito baixo em grande parte dos casos.
painéis e palestras previsíveis, sempre com o mesmo tom de “discurso corporativo” ou pura análise técnica e sem conexão com o dia a dia do assessor. interação e networking? nem com o palestrante, muito menos com os outros convidados - a não ser que você passe o evento todo ao lado da mesa de café.
falta o essencial - e a resposta está longe de ser uma novidade tecnológica ou um menu especial. me ajuda a te ajudar.
a boa notícia é que a solução não é tão difícil assim.
a excelente notícia é que dá pra mudar o percurso gastando pouco.
tentar adivinhar a expectativa de dezenas de milhares de profissionais pode soar impossível - e é. experimente perguntar aos assessores mais próximos quais experiências seu time deveria proporcionar em termos de aprendizado e treinamento.
comece pelo fim. qual é o seu objetivo com o evento: apresentar uma estratégia oportuna ou um novo fundo? aproximar seu time de RI a um grupo específico de assessores? compartilhar alguma mudança institucional?
uma observação interessante a se fazer é que esse público tende a utilizar de maneira dominante o lado esquerdo do cérebro, que é o responsável pela realização mental de cálculos matemáticos, comando da escrita e compreensão dela através da leitura. são pessoas um pouco mais racionais e com potencial de facilidade na resolução de problemas.
dito isso: seja objetivo e minimalista caso pretenda apresentar slides - a ponto de serem compreendidos em até 3 segundos.
se a ideia é fazer com que os assessores saiam do evento com uma mensagem clara que possa ser repassada na próxima reunião com o cliente…
que tal repensar o modelo defasado de webinar presencial? workshops práticos, painéis interativos e grupos de discussão rendem muito mais do que um monólogo de 45 minutos.
a Franklin Templeton, gestora global com mais de US$ 1,4 trilhão de AuM, organiza eventos com séries de módulos educacionais para consultores/assessores, dando prioridade aos que melhor se relacionam com o time de RI.
em entrevista a um veículo especializado, Barry Kruse, VP e head global de educação da empresa, contou que enxerga os brindes distribuídos como uma forma de criar fidelidade e afinidade e acredita que ajudam a estimular o interesse nos fundos da gestora.
usar a tecnologia como uma ponte, não um enfeite, pode ajudar nessa missão.
legal, você aprendeu a usar o QR code. agora vamos para um nível intermediário: após o evento, experimente segmentar o público e enviar um conteúdo que faça sentido para cada perfil (seu CRM tá aí pra te ajudar nisso).
e aqui não estamos falando de um relatório de 20 páginas, mas de insights curtos, práticos, que reforcem o objetivo da experiência. existem alguns aplicativos no seu pacote da microsoft que podem tornar essa operação bem rápida e eficiente (e vão te custar 0 reais).
eventos menores podem significar conexões maiores. muitas vezes, os melhores resultados vêm dos encontros mais intimistas, onde os assessores realmente podem interagir entre si e com as empresas. você pode distribuir os grupos identificando características como região, experiência, plataforma e histórico de interação. e assim nasce uma comunidade.
acredito que entregar um evento que traga retorno para o negócio não é sobre ter o setup mais tecnológico, a ativação mais cool ou o visual mais “instagramável”: é sobre construir uma experiência que seja relevante para o assessor, que respeite seu tempo e agregue valor ao seu trabalho.
ou a gente se adapta e cria algo que realmente faça sentido, ou vamos passar mais um ano desabafando sobre os mesmos assuntos em happy hours pelo itaim bibi.
insights sobre marketing, tecnologia, negócios e o tendências no mercado financeiro.
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